História

A HISTÓRIA DO SÃO CARLOS COUNTRY CLUB

O início do Clube ao lado da rodovia

Os chamados “clubes de campo” floresceram na década de 1960, graças ao desejo das populações das grandes cidades, notadamente da Capital, de passarem os finais de semana em um local com ar puro e não distante da cidade. A maioria dos clubes foi implantada no município da Capital, à beira das rodovias, com grande publicidade. Em uma pequena gleba, os incorporadores instalavam um parque infantil, uma churrasqueira e às vezes uma pequena piscina, prometendo a construção das demais benfeitorias tão logo fossem vendidas todas as cotas. Para esse tipo de empreendimento, foi atraída a classe média, devido às facilidades em se adquirir as cotas em pagamentos mensais. Assim que os incorporadores se ressarciam do capital aplicado e mais um bom ganho, elegiam uma diretoria, para a qual passavam o encargo de terminar o clube, vendendo assim novas cotas.

O Country Club foi inicialmente instalado numa área de 2,62 alqueires paulistas (ou 6,34 há), com o lançamento de 500 cotas, sendo 300 de propriedade dos incorporadores e 200 do clube. O título de sócio proprietário era adquirido por Cr$150.000,00, com a entrada de Cr$9.000,00 e o restante pago em 47 parcelas de Cr$ 3.000,00, em dinheiro da época.

Tratava-se, como se vê, de um clube em condomínio. Cada sócio era dono de um quinhentos-avos do clube, em terra e benfeitorias existentes. Essas benfeitorias (com exceção da piscina infantil, construída pelos incorporadores após a instituição do clube) já existiam na gleba – que nada mais era  do que uma chácara –  e foram sendo demolidas, com o decorrer do tempo, por serem muito antigas e não condizentes com o clube. Delas ainda restam a sede social e os barracões em seu entorno.

A renúncia do primeiro presidente

Em 2 de dezembro de 1962, sob a presidência do Sr. José Santilli, realizou-se uma reunião dos sócios proprietários, convocada pelos incorporadores do Condomínio. Tomaram assento à mesa, além do Sr. José Santilli, os Srs. Dário Rodrigues, Dr. Marino da Costa Terra, Demerval Maricondi, José Gullo Filho e Walter Gullo, os três últimos incorporadores do Condomínio. A ata dos trabalhos foi lavrada pelo Sr. Ari Pedro Ramos. Após os debates, foram aprovados por aclamação os membros da Diretoria Provisória e as Comissões Auxiliadoras, a saber:

Presidente da Diretoria, Dário Rodrigues; Vice-Presidente, Eduardo de Martini; 1o Secretário, Ari Pedro Ramos; 2o Secretário, Hellio Micelli; 1o Tesoureiro, Almir Villas Boas; 2o Tesoureiro, João Muniz. Comissão Representativa, com 11 sócios; Comissão Social, com 5 sócios; Comissão Jurídica, com 2 sócios; Comissão de Saúde, com 4 sócios; Comissão de Cultura, com 5 sócios; Comissão de Proteção aos menores, com 4 sócios; Comissão de Bar e Restaurante, com 4 sócios; Comissão Recreativa, com 3 sócios; Comissão de Constituição, com 6 sócios e Comissão Esportiva, com 4 sócios. Total: 55 sócios, sendo 7 diretores e 48 membros de comissões.

As Comissões foram preenchidas com os mais variados elementos representativos de nossa sociedade, tais como médicos, dentistas, engenheiros, comerciantes, professores, advogados, juiz, industriais, contadores, etc., tudo fazendo crer no sucesso da administração e na implantação do clube, que passou a contar com 55 sócios dispostos a colaborar para a concretização de sua finalidade: dar a São Carlos um clube de campo à altura de sua pujança.

Dário Rodrigues foi eleito presidente do clube em 21/02/1963 e demitiu-se em 08/04/1964, 11 meses antes do término de seu mandato, com renúncia coletiva de todos os seus membros, em solidariedade ao seu presidente. O principal motivo da renúncia a construção do edifício destinado ao bar-restaurante (onde atualmente encontra-se o salão de festas) que, orçado em Cr$4.500.000,00, ficou em Cr$7.978.886,70, financiado pelos incorporadores, que foram reembolsados em apenas Cr$2.000.000,00. Estes, por sua vez, recusaram-se a executar as obras compromissadas nos Títulos de Sócios Proprietários, até que a Diretoria saldasse o débito. Por causa do problema, surgiram reclamações dos sócios, que passaram a criticar a diretoria por ter dado prioridade à construção do bar-restaurante em prejuízo de obras para a prática de esportes, como campo de futebol, quadra basquete e piscina, dentre outros.

O presidente Dário Rodrigues conseguiu, no entanto, no breve período de seu mandato, executar, além do edifício do bar-restaurante (hoje salão social), um novo galpão com duas canchas de bochas.

O segundo presidente também renuncia

Em 11 de abril de 1964, Antonia Pirolla, presidente do Conselho Deliberativo, convoca Assembleia Geral Extraordinária, a qual elege o Professor Mário Tolentino como presidente do Country Club (de 04/1964 a 01/1966). A nova diretoria enfrenta sérios problemas a serem resolvidos, como a falta de água, de estacionamento para veículos, além das dívidas contraídas com os incorporadores referentes ao saldo da construção do bar-restaurante. Não conseguindo administrar o clube, a cada mês decorrido a situação financeira se agravava. Muitos sócios estavam deixando de pagar porque o clube nada oferecia em troca. Com a manutenção abandonada, e sentindo-se impotente, a Diretoria decide demitir-se coletivamente.

Em 20 de dezembro de 1965, realizou-se a Assembleia Geral Extraordinária, convocada pelo Prof. Swami Marcondes Villela, secretário da Diretoria demissionária, Assembleia esta presidida pelo Prof. Emanuel Veiga Garcia, destinada a apreciar o pedido de demissão. Não tendo a diretoria demissionária apresentado as contas e a demissão por escrito e não havendo nenhuma chapa registrada para disputar os cargos da diretoria, convocou-se outra Assembleia para o dia 6 de janeiro de 1966.

O clube em crise e o programa de ação

Aclamada por unanimidade, a chapa única, denominada “Renovação”, é eleita e empossada pelo presidente da assembleia em janeiro de 1966. O presidente eleito, Sr. Emilio Manzano (de 01/1966 a 03/78) agradece em seu nome e no dos companheiros da Diretoria, a confiança que lhes foi depositada, prometendo tudo fazer para tirar o clube da crise que o abalava, tornando-o viável para dessa forma atender ao desejo de todos os associados.

O clube, para ser viável, precisava de providências urgentes a serem tomadas,  correndo o risco inclusive do Condomínio ser dissolvido, voltando o patrimônio aos incorporadores, agora já valorizado pela inflação dos últimos quatro anos.

Entre as providências a serem tomadas em seu Programa de ação, as mais urgentes eram as seguintes:

  1. Obtenção tanto de  água potável quanto água em condições para a piscina pequena existente;
  2. Pagamento das dívidas do clube para com os incorporadores e para com diversos fornecedores;
  3. Capinação do mato que havia invadido toda a área; extinção da saúva, que havia destruído todas as árvores; plantação de novas árvores;
  4. Pagamento dos salários atrasados dos empregados e do administrador;
  5. Substituição do administrador;
  6. Valorização dos Títulos de Sócios Proprietários para sua posterior venda;
  7. Construção das obras esportivas e sociais não executadas pelos incorporadores em vista da negociação feita pela Diretoria anterior, com prioridade para um estacionamento para veículos (os carros eram deixados pelos sócios no acostamento da rodovia Washington Luiz) e peças para o parque infantil;
  8. Incentivo aos já sócios para frequentarem as dependências do clube; oferecimento de condições no clube para atrair novos sócios;
  9. Obtenção dos Incorporadores da escritura definitiva do imóvel;
  10. Obtenção de receita igual a despesas de manutenção do imóvel na época deficitária.

Decorridos 50 dias da posse da nova diretoria, o presidente eleito, Sr. Emílio Manzano, tomou as seguintes providências:

  1. O Country Club deu ênfase à planificação, que ficou a cargo da Escola de Engenharia, praticamente sem ônus para o clube;
  2. Para maior comodidade dos sócios, a secretaria executiva passou a funcionar na Rua Dona Alexandrina n.1000, local cedido gratuitamente pela Diretoria da Escola de Datilografia Olivetti;
  3. O bar e o restaurante começam a funcionar;
  4. O vice-presidente do clube, Sr. Américo Alves Margarido, ofertou gratuitamente um trator para fazer a capina e limpeza do pomar e áreas no fundo da gleba;
  5. Por motivo de economia, foi dispensado o administrador Sr. Elias Romanelli, sendo que a administração passou a ser feita pelos diretores do clube;
  6. Foi adquirida dos Irmãos Marques, proprietários de terras vizinhas do lado direito, uma área de 20m de frente por 600m da frente aos fundos, pela importância de Cr$3.500.000,00, destinada ao estacionamento de carros;
  7. Perfuração de um poço artesiano, que deveria dar água potável ao clube e no futuro abastecer o conjunto de piscinas;
  8. Serviço de terraplanagem, nivelando o solo para o futuro campo de futebol, piscinas, quadra de basquete, etc;
  9. Reforma do parque infantil, substituindo e comprando novos brinquedos;
  10. Término da 2o cancha do bocha;
  11. Construção da portaria do clube;
  12. Projeto (planta e perspectiva) do conjunto de piscinas.

Água, o grande desafio

O São Carlos Country Club, com o trabalho realizado, estava dando os primeiros passos para a concretização de um sonho.

Em maio de 1967, a Prominas, firma especializada contratada para a perfuração do poço artesiano, comunicou aos diretores que perfurara 250 metros e não encontrara nenhum lençol freático, considerando o poço antieconômico. Diante do resultado, o clube foi obrigado a abandonar o projeto.

Em 31 de outubro de 1968, o prefeito municipal de São Carlos, Sr. Antônio Massei, decretou e concedeu uso do São Carlos Country Club, da gleba de terreno de propriedade do Município com uma área de 19.490 m2. Com o acesso que o clube teria às nascentes existentes e da água procedente da represa dos Irmãos Gullo,  despejada na gleba concedida, passamos a ter água abundante que, bombeada, encheria o conjunto de piscinas em construção, bem como seria usada para irrigação e outros fins.

Em 4 de novembro do mesmo ano, o clube participou das festividades do aniversário de São Carlos com um carro alegórico ornamentado por sócios. O carro representava o conjunto de piscinas, como se estivessem prontas, com belas banhistas ao seu redor. Durante o desfile pela Avenida São Carlos, o carro foi muito aplaudido e representou ótima propaganda para o clube.

Um passo gigante na concretização de um ideal

Em 22 de fevereiro de 1970, foi inaugurado o tão sonhado conjunto de piscinas, com límpidas águas azuis, captadas do poço artesiano da Socil-Aves e conduzidas por 700m de tubos, até serem despejadas. Após o benzimento feito por um padre da Igreja São Sebastião, o presidente Emílio Manzano declarou o conjunto inaugurado. Em seguida, o ex-presidente Dário Rodrigues, aproveitando que o Sr. Emílio Manzano estava à beira da piscina, empurrou o mesmo com roupa e tudo dentro das águas. Os sócios com seus familiares também caíram na água e se divertiram a valer. Essa vitória, fruto de muito esforço, foi um passo gigante na concretização de um ideal, emudecendo aqueles que diziam que o clube não era viável.

A represa, o Bispo e o Interventor Federal

Em abril de 1970, foi aprovada a proposta para a publicação mensal de um boletim que noticiaria as atividades do clube, levando-as ao conhecimento dos associados. O nome sugerido e aprovado foi “O Countriano”. Seu redator: Professor Cid Silva César.

A firma Erva S/A doou ao clube todas as mudas de pinus e eucalipto para reflorestar a área cedida pela prefeitura.

Em agosto de 1970, o diretor Dário Rodrigues, a pedido da diretoria, visitou o Bispo Dom Ruy Serra, tentando obter autorização para que a barragem da futura represa fosse executada tendo de um lado as terras da Cúria Metropolitana e de outro as terras cedidas pela prefeitura. Diante da recusa do Bispo, a barragem foi executada mais acima, com as terras dos irmãos Gullo, com tudo previamente autorizado.

Em outubro de 1970, a barragem da Represa construída pela Firma SATEMAR acabou ruindo e suas águas escoaram, deixando-a vazia. Para refazer e melhorar a Represa, o clube contratou a firma ECHS Engenharia Ltda., que se comprometeu, por escrito, além de recuperar a represa, a dar assistência técnica necessária sobre rompimento ou desbarrancamento da barragem.

Em outubro de 1971, o clube recebeu ofício da Prefeitura Municipal de São Carlos, assinada pelo Interventor Federal Dr. Antônio Teixeira Viana, solicitando a devolução da área de terra cedida ao clube em 31 de dezembro de 1968. Alegou a Prefeitura que precisava da área para instalar a horta municipal.

Após várias tentativas frustradas de negociação, o Interventor Federal entrou em acordo com o clube e finalmente a represa foi preservada.

O “Bondinho da Alegria” é manchete no jornal

Em maio de 1973, o jornal “O Diário” havia publicado uma notícia sob o título “O bondinho faz a alegria para o Country”, dando a entender que o bonde que se encontrava na Praça dos Voluntários teria sido doado para o clube. A diretoria solicitou a retificação da notícia, esclarecendo que o bondinho do clube “Bondinho da alegria”, puxado por um Jeep, nada tinha a ver com aquele noticiado. O nosso foi construído no clube para entretenimento dos filhos de sócios.

O Plano diretor traçando o futuro do clube

Em dezembro de 1973, foi aprovado pelo Conselho Deliberativo o Plano Diretor e de Paisagismo, apresentado pela firma Propark Paisagismo Ltda, que incluía paisagismo, locação da nova sede social, quadra de esportes, ginásio esportivo, bosques e outras benfeitorias a serem construídas, tudo em seus lugares certos. As futuras diretorias deveriam dar continuidade à execução do referido projeto, podendo, tão somente, fazer modificações, desde que fossem para melhor.

Os indícios do crescimento do clube ficaram evidentes através de um comunicado da CPFL, solicitando a substituição de um transformador mais potente, devido ao aumento do consumo de energia elétrica.

A partir de então, o São Carlos Country Club desenvolveu-se de maneira sólida e constante, oferecendo aos seus associados um lugar agradável, com muitas opções de entretenimento e lazer.

(Histórico compilado por João Batista Dotta, a partir dos Informativos e Atas do Clube, redigidos originalmente por Emílio Manzano).